Sociedade 5.0: não há futuro tecnológico sem a evolução dos Data Centers

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*por Bruno Pagliaricci

 

Imagine um lugar onde tudo funciona de forma sincronizada, com soluções tecnológicas servindo ao bem-estar das pessoas e do planeta.

Essa já não é mais a descrição de um cenário de ficção. E este modelo, inclusive, é considerado o quinto passo na evolução da civilização humana, previsto para substituir a atual Sociedade da Informação.

Há alguns anos o governo do Japão anunciou um plano de crescimento ousado, com políticas de inovação que serão implementadas até 2021 para endereçar seus desafios sociais.

Este plano se baseia no conceito de Sociedade 5.0, que prevê a profunda aplicação da tecnologia - especialmente de Inteligência Artificial, Cloud Computing, Análise de Dados e Internet das Coisas - em favor do ser humano.

A grande mudança aqui é o PROPÓSITO: a inovação tecnológica deixa de ser um fim em si mesma.

Deixa de ser empregada prioritariamente para a geração de lucro, passando a privilegiar o ser humano, o bem-estar social e o meio ambiente.

Utopia social ou realidade?

Há quem diga que a implementação da Sociedade 5.0 só é factível no Japão, onde tudo parece funcionar perfeitamente. E por aqui, onde ainda há tanto a ser feito em termos de desenvolvimento urbano e tecnológico?

A verdade é que já estamos vivendo esse movimento. É um caminho sem volta.

Os estágios de transformação vividos pelo homem - desde a caça e coleta, passando pela sociedade agrícola, sociedade industrial (de massificação da produção) e pela era informação, nos levam a uma forma de vida na qual as cidades já são afetadas por conexões e massificações tecnológicas.

O conceito 5.0 já vem revolucionando o estilo de vida em comunidade, especialmente nas grandes metrópoles. Bons exemplos são as ferramentas de mobilidade urbana e os bancos digitais, que têm mudado definitivamente o mindset das pessoas.

Quanto mais acesso a recursos tecnológicos - tais como infraestrutura, software, telecomunicações e capacidade de processamento -, mais aderente este modelo organizacional social estará ao nosso cotidiano.

E assim, recursos hoje considerados inaplicáveis, “hi-tec”, aplicações acadêmicas ou excentricidades, logo se tornarão presentes e serão incorporados no dia a dia das pessoas.

Em âmbito global, esta realidade deverá se estabelecer nos próximos dez anos.

Será mais facilmente visível em cidades nas quais a economia tem maior desenvolvimento, são mais densamente povoadas e que reúnem uma população com maior nível de escolaridade.

Na América Latina esse desenvolvimento será mais lento, especialmente em regiões economicamente mais ricas. Mas o Brasil, como maior economia da região, deve liderar o movimento.

 

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Novo mindset impactará a relação das empresas com seus clientes e funcionários

Se a vida cotidiana será profundamente impactada com a Sociedade 5.0, é natural que esse processo também se repercuta nas organizações, em suas interações e na forma de trabalhar.

A pulverização de tecnologias antigas e formas de trabalhar tem transformado a rotina das empresas e, consequentemente, afetará a vida das pessoas na Sociedade 5.0.

Na verdade, a quarta Revolução Industrial - ou Indústria 4.0 -, massificada pela robótica e pela Internet das Coisas (IoT), já vem transformando o modo de produzir e fornecer produtos e serviços.

Como exemplo, serviços baseados em análise de Big Data já permitem às empresas estarem muito mais próximas de seus consumidores. Com o conhecimento mais profundo de seus hábitos, identificam necessidades e até geram demandas.

Assim, ao responder questões de “que, como, quando e por quanto”, a solução retroalimenta a sociedade de consumo.

Alguns negócios dependerão de muita agilidade para atender demandas pontuais e sazonais, administrando o pico de demanda.

O modo de vender, comprar, interagir e trabalhar será diferente do que vivemos hoje. Novas profissões, produtos e serviços nascerão.

 

Sociedade 5.0 na prática

A essa altura você deve estar se perguntando o que, de fato, é preciso para que o ciberespaço se integre harmoniosamente com o mundo físico.

Na prática, precisa de equipamentos e estruturas físicas para funcionar. A cloud computing, por sua vez, depende da infraestrutura de Data Centers e de suas interligações em redes públicas e privadas.

Sem Data Centers e redes de comunicação não há armazenamento, processamento e tampouco a distribuição de informações necessárias para o atendimento a pessoas e empresas.

É a física estrutura que sustenta o transicionamento online, a hiperconexão e a absoluta convergência de digital de todas as tecnologias nas cidades inteligentes.

Combinados, o Data Center e a Nuvem Híbrida habilitarão relacionamentos interpessoais e o trabalho na Sociedade 5.0. E aqui, o Colocation se apresenta como peça-chave.

 

Colocation sustentando a transformação digital

Hospedar dados e cuidar para que estejam sempre seguros, disponíveis e rapidamente acessíveis já é premissa fundamental em todos os segmentos de mercado.

A consultoria IDC estima que, até 2025, a datasfera global crescerá para 163 zetabytes (ZB).

Nesse aspecto, serviços de Colocation tem sido uma tendência mundial para a TI em larga escala.

De acordo com a pesquisa divulgada recentemente pela ISG Insights, Data Centers de Colocation estão em demanda global devido ao aumento da digitalização. Isso faz com que mais dados sejam criados e armazenados, o que, consequentemente, alavanca a demanda por mais Data Centers para garantir a continuidade das operações.

Esse direcionamento é alavancado pelas demandas dos grandes provedores de Cloud, que precisam de uma infraestrutura segura, escalável e de altas capacidades.

Como exemplo, essa pesquisa da ISG Insights destaca que o Brasil conta com três Data Centers da AWS, um da Azure, dois da IBM Cloud, um da Oracle Cloud e um do Google Cloud, todos hospedados em Data Centers de Colocation.

A adoção de nuvens privadas e híbridas aumenta a necessidade de Colocation, já que as cargas de trabalho legadas, que não são adequadas para ambientes virtualizados, são migradas de estruturas internos para instalações de Colocation.

Para David Capuccio, vice-presidente de pesquisas do Gartner, até 2025, 80% das empresas encerrarão seus data centers tradicionais.

Assim, hospedar na modalidade híbrida, com o Colocation combinado à Nuvem, tem sido a base fundamental para a ruptura que o mercado de TI tem sofrido nos últimos anos.

 

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A evolução do Data Center é cada vez mais urgente

Os novos Data Centers, com suas infraestruturas robustas, resilientes, seguras e modularmente escaláveis, são as “casas” de armazenagem e processamento de dados.

Da mesma forma, as redes de comunicação de alta capacidade e velocidade serão a “estradas” para o funcionamento do mundo moderno e suas bases de tecnológicas, como IoT, Big Data e a Cloud Computing.

Para que essas estruturas sejam capazes de suportar a evolução exponencial de tecnologias que já estão impactando vidas em todo o mundo, haverá importantes transformações. Entre as principais se destacarão:

  • o aumento de capacidades energéticas
  • inovações no setor de refrigeração
  • melhorias de acesso a redes de conectividade
  • plasticidade e velocidade de processamento de TI

 

Desafios e benefícios da Sociedade 5.0 

Por aqui, os principais desafios para a implementação do modelo de crescimento da Sociedade 5.0 ainda são o acesso à infraestrutura e às tecnologias de ponta, assim como a qualidade das telecomunicações e a capacidade para novos investimentos - tanto de ordem pública quanto privados.

Do ponto de vista da Sustentabilidade - um dos três valores-chave da Sociedade 5.0 (os outros são Abertura e Inclusão) -, entre as principais vantagens de se integrar o Colocation a uma arquitetura de dados híbrida destacam-se a otimização e o uso racional de recursos naturais, como água e energia.

A cloud computing e a concentração de processamento em grandes Data Centers colaborarão para que os recursos computacionais e de comunicação sejam otimizados.

Os recursos do planeta terra são finitos e usá-los na medida do necessário, sem desperdícios, é obrigação de todo habitante deste sofrido planeta.

 

O Lado Negro da Força

Com tantas soluções de alta geração e disponibilidade de dados, como evitar que as inovações da Sociedade 5.0 abram espaço para o uso deturpado da tecnologia, como na série Black Mirror?

A verdade é que toda transformação envolve riscos negativos, que precisam ser controlados e coibidos. Assim, caberá às sociedades se organizarem para o bem.

Novas regras, regulações e leis deverão ser criadas para disciplinar o uso da tecnologia, para o desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida das pessoas. É preciso mobilizar autoridades, desenvolvedores de tecnologia e cidadãos em torno do mesmo objetivo comum.

Nosso maior desafio para viabilizar a Sociedade 5.0 não é técnico, mas cultural.

 

 

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*Bruno Pagliaricci é o CTO da ODATA. Graduado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia Mauá, reúne mais de 25 anos de experiência nas indústrias de telecomunicações e Tecnologia da Informação. Nesse período, liderou a construção, gestão, operação e manutenção da infraestrutura de diversos Data Centers no País e na América Latina.

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